25 de ago de 2015

Eu pretendo agradecer

A gente se encontrou sem querer. Eu não pretendia levar ninguém a sério e fazia tempo que tinha escolhido outras prioridades. Não é que estava só, vez ou outra eu me encontrava com um romance antigo, mas nada que passasse do segundo ou terceiro reencontro. Depois eu chegava em casa, mergulhava nos meus livros e curtia aquela vida boa que era não ter em quem pensar enquanto escutava Los Hermanos. Na fila do pão, desta vez eu era o apressado. Corria pra tudo. Pra tomar banho, pra chegar no trabalho, para sair da faculdade. Até na balada eu corria. E foi num momento de correria que a gente se esbarrou. Não literalmente. Nada de livros no chão e olhares em câmera lenta. Ela veio vindo na minha direção, mas sem olhar pra mim, e eu pude ouvir ela cantarolando aquela música que diz "às vezes o amor dura". Durou dez segundos, eu contei. Esse foi o tempo em que o olhar dela encontrou o meu e eu terminei a música, "mas às vezes ele fere". Ela sorriu e pronto. O destino estava traçado. Dez segundos que mudariam a vida dos dois. Eu ainda não sei até quando vou agradecer por aqueles segundos, talvez eu me ferre por pelo menos cinco anos, ou tenha dias incríveis e prósperos ao ao lado dela. Temos uma vida boa e dividimos momentos incríveis, passamos por dificuldades também, e elas tem nos provado diariamente a força que um relacionamento requer para sobreviver às adversidades da vida. Eu sei que me tornei uma pessoa melhor com ela, e sem querer, ela vem se tornando alguém que eu jamais imaginei encontrar.

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