30 de jul de 2015

A mãe da irmã

"Não sei se você sabe, mas eu tenho uma filha". Depois de dois meses juntos, precisava encontrar uma forma de deixar o meu passado transparente para ela. Essa revelação vem afastando as pretendentes que tive, há longos 18 meses. Desde que a Malu nasceu, nenhuma mulher realmente interessante quis se aventurar no meu mundo. Algumas se afastaram com o argumento de que estavam sem tempo, outras um pouco mais sinceras, diziam não ter vocação para madrasta e nenhuma intimidade com criança. No último ano a pessoa certa para mim deixou de ser a gostosa de olhos verdes, ou a loira de bumbum empinado. Aquela que eu andaria de mãos dadas, precisava querer conhecer os olhos de jabuticaba da minha pequena. De uma forma ou de outra, eu sempre soube que nenhuma daquelas com quem me diverti seria essa pessoa. Até o dia que a encontrei. Dessa vez preferi ser sensato. Fui calculista sem deixar de ser sincero, mas esperei o melhor momento, e sabia que o momento havia chegado. Logo que terminei ouvi um suspiro indecifrável. Decepção? Frustração? Não saberia dizer. O silêncio se instaurou, e eu quase pude sentir o gelo entre nós. De repente ela disse aquilo que eu precisava ouvir. "Quero conhecê-la". Como era possível ser mais feliz com isso que com um clássico "eu te amo"? Não tinha dúvidas, ela seria a mãe perfeita para a irmã da Malu.

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