27 de jan de 2016

Ou vai ou racha

Moço, eu não queria te pressionar. Tanto é verdade que até agora eu estava na minha, cheia de zelo e sempre medindo o que falar. Você, tão carinhoso, atencioso e presente, que me fez sentir essa vontade louca de experimentar o tal “para sempre”. Já estamos saindo há três meses e por mais que seja só um lance, não há como negar que já rola sentimento entre nós e, por que não dizer, também um anseio pela tal exclusividade. Vai me dizer que a esse ponto você ainda acha “normal” que eu saia beijando outros? Porque, se para você tá tudo bem, sinto muito, mas para mim não é mais tão simples assim. Parece pressão, mas não é. Na verdade, chegamos a um ponto onde todos sabem que estamos juntos, todos esperam por nós juntos, mas eu não posso usar o termo “nós” sem me sentir uma boba, já que nada está claro. Quando tem festa de família você é o primeiro que eu penso em convidar, mas aí lembro da “forçação de barra” e deixo pra lá. Enquanto isso, minha família pergunta sobre o tal rapaz que vivo encontrando e que nunca aparece. Por mim continuaríamos juntos, mas sem essa dúvida sobre o que somos, sem eu ter que fingir que não quero nada sério, sem eu ter que viver me esquivando das perguntas de casa ou disfarçando nas reuniões de amigas. Eu não quero te prender ou te privar de nada. Na verdade, entre nós nada deveria mudar. A única coisa que me deixaria confortável hoje era assumir para nós e para todos o que temos e o que somos. Moço, para mim é tão difícil falar disso que, às vezes, compartilho frases e textos com a mera esperança de que você perceba nas entrelinhas e me poupe do constrangimento de ter que dizer o óbvio. Então, por favor, seja sagaz. Seja claro. Seja direto. E decida de uma vez por todas se você também quer ficar só comigo, se quer que isso aqui continue dando certo. Eu não tô pedindo pra mudar sua vida, Cara Pálida. Nada disso. Eu só quero que você me diga com todas as letras que eu posso fazer parte dela.

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