20 de ago de 2015

Das verdades que eu nunca disse

Ela não sabe, mas eu penso nela o tempo todo. Ela não precisa saber, mas logo que eu abro os olhos, lá pelas 6h da manhã, já estou pensando no sorriso dela. Enquanto eu me espreguiço na cama e luto contra a vontade de virar para o canto e dormir mais um pouco, eu me pego pensando naquele cabelo preto espalhado no meu travesseiro. Eu ligo o chuveiro, e assim que a primeira gota de água encosta no meu corpo, eu penso nos dedos dela passeando pelas minhas costas, em uma tentativa frustrada de me ver gemer. Enquanto eu procuro o que vestir, lá estou eu de novo lembrando daquele vestido vermelho que ela usou na última noite e na facilidade que eu encontrei em tirá-lo com os dentes. Tomo um café, e entre um gole e outro, me lembro das mãos dela atravessando a mesa só para segurar a minha e fazer um carinho com o polegar. Não são nem 7h da manhã e eu já consegui pensar em muitos dos detalhes desses últimos meses. Eu gostaria de contar, olhando nos olhos dela, o quanto já faz parte da minha vida, mas ela não precisa saber. Na verdade, há coisas que não precisam ser ditas, o corpo fala por si só.

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