2 de dez de 2013

As consequências da dúvida

Acordei às 10 da manhã, comi umas torradas queimadas e um suco de ontem. Tomei um banho daqueles que massageiam as costas. Me vesti, calcei um salto, passei um perfume que me trazia boas lembranças e desci as escadas. Tirei meu carro da garagem, fechei o portão e dirigi em direção ao centro. Um, dois, três semáforos verdes. Isso é incrível! Quatro... quatro... quatro... droga, não deu. O celular tocou. Me lembrei das regras de trânsito, dos pontos que perderia caso algum policial me visse, e dos acidentes que aquela imprudência poderia causar, mas esqueci de tudo logo que reparei o nome na tela do celular, pela segunda vez naquela manhã. Era ele. Aquele nome ainda fazia meu coração palpitar, apesar dos três meses que se passaram, tive coragem, ou vontade, de trocar o nome do contato, e na tela continuava piscando aquele "Amor Ligando". Por quantas e quantas noites desejei receber aquela ligação. A foto que aparecia tinha sido tirada no nosso aniversário de dois meses de namoro. Ele tinha dito que aquela imagem estaria em algum porta retrato na sala da nossa casa, e que nossa filha teria o meu sorriso. Um sorriso espontâneo de quem encontrou o verdadeiro amor. Ele tava certo, eu tinha encontrado mesmo, um amor verdadeiro e pra vida toda. Pena que alguma coisa deu errado.
Inúmeras perguntas começaram a rodar minha cabeça. O que eu vou dizer quando atender? Ou melhor, eu devo atender? Será que está tudo bem? Não ouvi os noticiários hoje. Houve algum acidente, pessoas desaparecidas, sequestro? Será que a mãe dele piorou ou ele resolveu buscar a última peça de roupa que ainda está lá em casa? Tomara que não, é a única coisa que ainda guarda o cheiro dele naquele apartamento vazio. Maldita hora que optamos por um lugar tão grande. Devia ter escolhido um menor, mais aconchegante e que nos obrigasse a ficar mais próximos. Espero que ele não tenha mudado de ideia sobre o Jack, aquela bolinha de pêlos é o único ser vivo que aguentou passar mais de 12 meses ao meu lado. Tantos pensamentos em 30 segundos. O celular parou. Junto com ele, meu coração também. Meu estômago se revirou e eu senti vontade de chorar.

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